ECONOMIA

'Tem que dar um jeito': como o Master estruturou a produção de documentos falsos, segundo a PF

Fachin dá 24 horas para Mendonça liberar sigilo de documentos do caso Master Documentos tornados públicos nesta sexta-feira (11) detalham…

Fachin dá 24 horas para Mendonça liberar sigilo de documentos do caso Master Documentos tornados públicos nesta sexta-feira (11) detalham como funcionários do Banco Master participavam da produção de documentos apontados pela Polícia Federal (PF) como falsos e usados para sustentar operações de cessão de créditos ao Banco de Brasília (BRB). O material veio à tona após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantar o sigilo das principais investigações sobre o caso, no contexto da crise que atinge a Suprema Corte. 📱 Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Entre os documentos está uma apresentação interna encontrada no acervo digital do Master. Elaborada pelo próprio banco e apreendida durante a Operação Compliance Zero, ela descreve uma cadeia que ia da extração de dados de clientes à geração, assinatura e envio dos documentos. A apresentação mostra ainda que a alteração de documentos envolvia funcionários de diferentes níveis hierárquicos, de diretores e gerentes a equipes de tecnologia e áreas operacionais. Segundo a PF, os elementos sustentam a linha de investigação de que grande parte dos créditos comprados pelo BRB do Master estaria ligada a operações irregulares. Os peritos também apontam que a diretoria do BRB continuou aprovando novas operações mesmo após alertas internos sobre problemas de documentação, liquidez e inconsistências identificadas nas carteiras negociadas. (leia mais) 🔎 A PF investiga suspeitas de fraude bilionária em carteiras de crédito cedidas pelo Banco Master ao BRB. Parte dos créditos consignados era apresentada como originada pela Tirreno, empresa que aparecia como responsável pela formação das carteiras posteriormente repassadas ao Master e vendidas ao banco público. A investigação aponta indícios de que essas operações não tinham o lastro informado e de que documentos foram produzidos posteriormente para comprovar parte dos créditos. Como funcionava o esquema, segundo a PF? A apresentação interna do Banco Master descreve, etapa por etapa, como diferentes áreas do banco atuaram na produção dos documentos. Em uma dessas etapas, dados de clientes do CredCesta, programa de crédito consignado ligado ao banco, foram usados para gerar em massa Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), procurações e termos de consentimento. Segundo a PF, parte desses documentos teria servido para comprovar os créditos vendidos ao BRB. Em um dos casos, o gerente do Banco Master Allan da Silva Machado teria usado uma planilha e a mala direta do Word — ferramenta que preenche automaticamente um mesmo modelo com os dados de cada cliente — para gerar 2.700 procurações. Os arquivos eram armazenados em uma pasta chamada “Demanda BRB-Tirreno 2700 amostras”. Para a PF, é provável que desse lote tenham saído procurações incluídas em uma amostra de 1.785 contratos enviada ao BRB como comprovação de créditos supostamente originados pela Tirreno. Banco Master. Reprodução/TV Globo ‘Tem que dar um jeito’ O relatório também descreve tentativas de ocultar informações dos comprovantes de transferência ligados aos créditos investigados. Mensagens reproduzidas na apresentação mostram que o gerente Allan da Silva Machado pediu à funcionária da tesouraria Romy Goerck Gentina Klenquen a entrega de comprovantes, mas sem dados que permitissem identificar os respectivos contratos e as transações. “Este aparece o número de contrato… Não quero o número de contrato nem o histórico”, afirma Allan. “Então não tem o que fazer. Um ou outro eu consigo ajustar daquela outra forma, mas impossível em 2700 comprovantes”, responde Romy. “Tem que dar um jeito”, diz Allan. “Pois é”, conclui Romy. Para a PF, a conversa é um indício de tentativa de manipulação dos comprovantes de transferência. O relatório classifica o episódio como uma “provável emissão de comprovantes de transação manipulados”. Remoção de datas Em outra frente, mensagens reproduzidas pela PF mostram funcionários discutindo a retirada da data e do horário registrados nos termos de consentimento dos clientes. Em uma conversa, o gerente Allan da Silva Machado envia um desses documentos a Moacir Lourenço da Silva Junior, da área de tecnologia, e orienta: “Precisamos excluir a data.” A retirada dessa informação dificultaria identificar quando o cliente teria formalizado seu consentimento. Em outro exemplo analisado pela PF, um documento indicava ter sido celebrado em 21 de janeiro de 2025, mas sua assinatura eletrônica só ocorreu em 20 de junho daquele ano, cerca de cinco meses depois. Para a PF, a retirada desses dados ajudava a ocultar inconsistências e reforça a suspeita de que documentos tenham sido produzidos posteriormente para comprovar créditos negociados com o BRB. Pressão da auditoria e ‘erro operacional’ As inconsistências também chegaram à auditoria externa Deloitte, que checava a conformidade das carteiras. Segundo o relatório da PF, diante das cobranças dos auditores sobre divergências nos contratos, o coordenador de controles Fabrizio Pereira Alencar, do Master, questionou o diretor do banco Alberto Felix de Oliveira Neto sobre como responder. “Estão nos cobrando”, afirmou Fabrizio. Os documentos mostram que, após as cobranças da Deloitte, Alberto Felix orientou Fabrizio a atribuir as divergências a um “erro operacional”. “Esse tem que falar que foi erro operacional na seleção”, escreveu o diretor ao funcionário. Segundo a PF, a conversa aconteceu após a Deloitte enviar um e-mail ao Master sobre irregularidades na documentação apresentada à auditoria. Os contratos citados, segundo a investigação, eram da carteira da Tirreno e correspondiam ao período de dezembro de 2024 a março de 2025. O que é a apresentação do Master encontrada pela PF? As informações que constam no documento são, segundo a PF, de um relatório produzido pelo próprio banco. Intitulada “Investigações internas – Banco Master”, a apresentação foi feita para registrar comportamentos inadequados identificados entre funcionários. Na prática, o banco fez uma apuração interna sobre condutas que poderiam causar danos financeiros, reputacionais e à integridade da instituição. A apresentação registrava quem teria participado, o que cada pessoa fazia e mensagens trocadas durante o processo. O material descrevia a geração e a manipulação de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), procurações e termos de consentimento, a retirada de datas, tentativas de alterar comprovantes e orientações sobre como responder à Deloitte, empresa responsável pela auditoria. A apresentação foi encontrada pela PF no acervo digital entregue pelo liquidante do banco — responsável por administrar o Banco Master durante o processo de liquidação. Para os investigadores, o material passou a ser uma evidência por corroborar a suspeita de que documentos ligados às cessões ao BRB eram produzidos ou manipulados dentro do próprio Master. PF aponta um padrão de ‘gestão fraudulenta’ Para a Polícia Federal, os episódios descritos no laudo não representam falhas isoladas. Ao analisar as operações em conjunto, os peritos concluíram que os mesmos problemas se repetiram em diferentes etapas da relação entre o BRB e o Banco Master. A análise abrangeu R$ 47,78 bilhões em operações entre as duas instituições. Desse total, R$ 31,74 bilhões correspondiam a negócios em que o Master vendia carteiras de crédito ao BRB. A perícia identificou uma sequência de práticas que se repetiram ao longo das operações: pagamentos feitos antes da conclusão das análises técnicas; pareceres finalizados depois que o dinheiro já havia sido liberado; compras divididas em valores menores para permanecer dentro do limite de decisão da diretoria; falta de uma avaliação ampla e independente sobre os riscos de negociar com o Master; concentração excessiva das compras em uma única instituição; continuidade dos pagamentos mesmo depois de alertas financeiros e de problemas encontrados nas carteiras. Na avaliação dos peritos, as compras continuaram enquanto etapas criadas para analisar os riscos, autorizar as operações e controlar a saída de dinheiro eram contornadas ou concluídas somente depois dos pagamentos. A repetição dessa prática levou a perícia a afirmar que havia elementos técnicos e documentais suficientes para caracterizar “gestão fraudulenta” no processo de compra das carteiras do Master. 🔎 Segundo a PF, a conclusão não se baseia apenas no risco ou no possível prejuízo das operações, mas em mecanismos que teriam sido usados repetidamente para reduzir a eficácia dos controles internos do BRB. “A utilização reiterada da forma para encobrir ou neutralizar a substância decisória […] configura, sob a perspectiva técnico-pericial, padrão compatível com gestão fraudulenta, e não apenas com gestão temerária”, afirma o laudo. LEIA MAIS: Banco Master e BRB: PF aponta pagamentos antecipados, compras fracionadas e falhas nos controles Infográfico – Entenda a polêmica dos CDBs do Banco Master Arte/g1

Perguntas frequentes

Respostas institucionais sobre esta cobertura, fontes e limites editoriais.

Sobre o que trata “'Tem que dar um jeito': como o Master estruturou a…”?
Fachin dá 24 horas para Mendonça liberar sigilo de documentos do caso Master Documentos tornados públicos nesta sexta-feira (11) detalham como funcionários do Banco Master participavam da produção de documentos apontados pela Polícia Federal (PF) como…
Por que Economia importa agora?
O tema impacta decisões e debates cotidianos ligados a Economia. A redação destaca fatos, datas e implicações práticas sem substituir orientação profissional personalizada.
Quem edita o conteúdo do Estrato Esporte?
A cobertura é produzida e revisada pela equipe editorial do Estrato Esporte, com editor-chefe responsável pela linha editorial. Conheça a redação em https://esporte.estrato.cc/equipe/.
Quais fontes o Estrato prioriza?
Priorizamos fontes primárias (órgãos oficiais, balanços, estudos revisados, documentos públicos) e cruzamos informações antes da publicação, conforme a política editorial.
Como solicitar correção de uma matéria?
Envie o pedido pela página de Correções (https://esporte.estrato.cc/correcoes/) ou Contato (https://esporte.estrato.cc/contato/). Erros materiais são corrigidos com registro da atualização.
O conteúdo constitui aconselhamento profissional?
Não. As matérias têm caráter informativo e jornalístico. Decisões financeiras, de saúde, jurídicas ou educacionais devem considerar profissionais habilitados e a sua situação particular.
Onde acompanhar a política editorial do Estrato Esporte?
Metodologia, ética e transparência estão em https://esporte.estrato.cc/metodologia/, https://esporte.estrato.cc/etica-editorial/ e https://esporte.estrato.cc/politica-editorial/.
Como o Estrato trata temas sensíveis (YMYL)?
Temas que afetam dinheiro, saúde e bem-estar recebem revisão editorial reforçada, disclaimer visível e links para páginas institucionais de metodologia e correções. Portal: https://esporte.estrato.cc/
WhatsApp X LinkedIn
Compartilhar: LinkedIn
Diego Freitas

Diego Freitas

Diego Freitas integra a equipe editorial do Estrato Esporte, vertical da rede Estrato, na função de Repórter — Estrato Esporte. O escopo permanente de cobertura inclui cobertura editorial de Estrato Esporte, com atenção ao leitor brasileiro que busca contexto factual, datas oficiais e implicações práticas. Na produção diária, prioriza fontes primárias (órgãos públicos, balanços, papers e documentos oficiais), cruza pelo menos duas referências independentes quando o tema é contestado e evita manchetes que prometam certeza onde há incerteza. Critérios de qualidade: lead com o fato principal, atribuição clara de autoria da equipe Estrato, atualização com selo quando há mudança material e linguagem acessível sem simplificar demais o risco ou o contexto. Trabalha sob revisão da mesa editorial e do editor-chefe do portal. Matérias YMYL recebem segunda leitura antes da publicação e podem ser atualizadas quando surgem novos dados oficiais. Limites: este perfil descreve o papel editorial na marca Estrato. O conteúdo publicado é informativo e não constitui aconselhamento médico, financeiro, jurídico ou profissional personalizado. Transparência ao leitor: metodologia em /metodologia/, ética em /etica-editorial/, correções em /correcoes/, equipe em /equipe/ e canal em /contato/ ([email protected]). Na página-mãe da rede, a bio ampliada e o arquivo de matérias ficam em estrato.cc/blog/, com link para o arquivo do autor em cada portal.

Deixe um comentário