ECONOMIA

Poucos terrenos, Selic e ciclo longo: por que novos shoppings são raros no Brasil?

O setor de shopping centers tem mostrado resiliência mesmo diante dos juros elevados, mas a combinação de terrenos escassos, alto…

O setor de shopping centers tem mostrado resiliência mesmo diante dos juros elevados, mas a combinação de terrenos escassos, alto volume de capital necessário e longo ciclo de desenvolvimento torna a construção de novos empreendimentos um desafio no Brasil.

Segundo Alexandre Machado, gestor do HGBS11 (Hedge Brasil Shopping), essas barreiras ajudam a limitar a entrada de novos concorrentes no mercado, enquanto os ativos já consolidados seguem apresentando crescimento real nos resultados operacionais.

“Mesmo nesse cenário dos juros elevados, a performance dos ativos tem apresentado crescimento real na maior parte deles”, diz Machado.

Para o gestor, a recuperação pós-pandemia já está mais consolidada. Os shoppings apresentam níveis de ocupação considerados bons e inadimplência em patamares saudáveis.

Mesmo com algumas redes varejistas enfrentando dificuldades — especialmente empresas mais alavancadas e expostas ao custo elevado do dinheiro — o setor, de forma geral, continua registrando crescimento e redução de vacância.

Leia Mais: FII MXRF11 ultrapassa 1,5 milhão de cotistas após captação de R$ 1 bilhão

E-commerce não eliminou a relevância dos shoppings

Para Machado, uma das principais características dos shopping centers é justamente a capacidade de adaptação. Diferentemente de outros segmentos imobiliários, o shopping não é apenas um ativo físico: é um negócio que precisa constantemente renovar sua atratividade. “O shopping, mais do que um elemento de real estate, de tijolo em si, ele é um business, ele é um negócio muito dinâmico.”

O avanço do e-commerce, por exemplo, afetou algumas categorias mais diretamente expostas à venda online, como eletroeletrônicos. Mas, na avaliação do gestor, os próprios lojistas passaram a adaptar seus modelos de negócio, utilizando as lojas físicas como pontos de experiência, demonstração e showroom.

“Ao mesmo tempo, o crescimento do comércio digital também criou uma nova demanda para os shoppings: as chamadas marcas nativas digitais, que nasceram na internet e passaram a buscar presença física para ampliar o contato com os consumidores”, comenta.

Gastronomia, serviços e entretenimento ganham espaço

A transformação do perfil dos shoppings também aparece na composição dos empreendimentos. Machado destaca o avanço da gastronomia, além de serviços, conveniência e entretenimento.

Na visão do gestor, a localização dos shoppings brasileiros, muitas vezes inseridos dentro dos grandes centros urbanos, favorece essa transformação. O empreendimento deixa de ser apenas um lugar para compras e passa a funcionar também como espaço de convivência, lazer e serviços.

Essa característica, segundo Machado, ajuda a explicar por que os shoppings brasileiros conseguiram responder às mudanças provocadas pela tecnologia e pela pandemia de maneira diferente de alguns mercados internacionais.

Leia Mais: Setembro recheado de dividendos: veja os FIIs que estão pagando mais

Por que é tão difícil construir novos shoppings?

Além da capacidade de adaptação dos ativos existentes, Machado aponta outro fator que ajuda a explicar a dinâmica do setor: a elevada barreira de entrada para novos empreendimentos.

Diferentemente de um galpão logístico ou de um prédio corporativo, um shopping center não é um ativo facilmente replicável. A primeira dificuldade está na própria disponibilidade de terrenos.

“Para fazer um shopping, você precisa ter um terreno grande. É muito mais difícil aprovar um projeto de shopping do que um escritório, um galpão logístico”, diz Machado.

Em grandes centros urbanos, encontrar uma área com tamanho adequado é difícil e caro. Mesmo quando o terreno é encontrado, o projeto ainda precisa enfrentar uma série de restrições urbanísticas, já que um shopping gera impactos relevantes no trânsito e na infraestrutura da região.

O segundo grande obstáculo está no volume de capital necessário e no longo período até que o empreendimento esteja plenamente maturado.

Entre aquisição do terreno, aprovação, construção, inauguração e maturação comercial, o investidor precisa esperar anos para que o ativo comece efetivamente a entregar todo o seu potencial.

Esse cenário se torna ainda mais desafiador em um ambiente de juros elevados. Com o custo de capital alto, financiar um empreendimento que exige muito dinheiro e só começa a gerar retorno depois de um longo ciclo se torna menos atrativo.

Por isso, na visão de Machado, a combinação entre terrenos escassos, restrições urbanísticas, alto investimento inicial, longo período de maturação e juros elevados acaba funcionando como uma barreira natural à entrada de novos concorrentes. “Isso tudo inibe a entrada de novos shoppings, de concorrentes, especialmente quando o juro está elevado nos patamares que estão.”

Confira o episódio completo na edição desta semana do Liga de FIIs. O programa vai ao ar todas as quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no Youtube. Você também pode rever todas as edições passadas.

The post Poucos terrenos, Selic e ciclo longo: por que novos shoppings são raros no Brasil? appeared first on InfoMoney.

Perguntas frequentes

Respostas institucionais sobre esta cobertura, fontes e limites editoriais.

Sobre o que trata “Poucos terrenos, Selic e ciclo longo: por que novos shoppings…”?
O setor de shopping centers tem mostrado resiliência mesmo diante dos juros elevados, mas a combinação de terrenos escassos, alto volume de capital necessário e longo ciclo de desenvolvimento torna a construção de novos empreendimentos um…
O que a matéria explica sobre “E-commerce não eliminou a relevância dos shoppings”?
Para Machado, uma das principais características dos shopping centers é justamente a capacidade de adaptação. Diferentemente de outros segmentos imobiliários, o shopping não é apenas um ativo físico: é um negócio que precisa constantemente renovar sua atratividade. “O shopping, mais do que…
O que a matéria explica sobre “Gastronomia, serviços e entretenimento ganham espaço”?
A transformação do perfil dos shoppings também aparece na composição dos empreendimentos. Machado destaca o avanço da gastronomia, além de serviços, conveniência e entretenimento.Na visão do gestor, a localização dos shoppings brasileiros, muitas vezes inseridos dentro dos grandes centros urbanos, favorece essa…
Por que é tão difícil construir novos shoppings?
Além da capacidade de adaptação dos ativos existentes, Machado aponta outro fator que ajuda a explicar a dinâmica do setor: a elevada barreira de entrada para novos empreendimentos.Diferentemente de um galpão logístico ou de um prédio corporativo, um shopping center não é…
Quem edita o conteúdo do Estrato Esporte?
A cobertura é produzida e revisada pela equipe editorial do Estrato Esporte, com editor-chefe responsável pela linha editorial. Conheça a redação em https://esporte.estrato.cc/equipe/.
Quais fontes o Estrato prioriza?
Priorizamos fontes primárias (órgãos oficiais, balanços, estudos revisados, documentos públicos) e cruzamos informações antes da publicação, conforme a política editorial.
Como solicitar correção de uma matéria?
Envie o pedido pela página de Correções (https://esporte.estrato.cc/correcoes/) ou Contato (https://esporte.estrato.cc/contato/). Erros materiais são corrigidos com registro da atualização.
O conteúdo constitui aconselhamento profissional?
Não. As matérias têm caráter informativo e jornalístico. Decisões financeiras, de saúde, jurídicas ou educacionais devem considerar profissionais habilitados e a sua situação particular.
WhatsApp X LinkedIn
Compartilhar: LinkedIn
Larissa Monteiro

Larissa Monteiro

Larissa Monteiro integra a equipe editorial do Estrato Esporte, vertical da rede Estrato, na função de Repórter — Estrato Esporte. O escopo permanente de cobertura inclui cobertura editorial de Estrato Esporte, com atenção ao leitor brasileiro que busca contexto factual, datas oficiais e implicações práticas. Na produção diária, prioriza fontes primárias (órgãos públicos, balanços, papers e documentos oficiais), cruza pelo menos duas referências independentes quando o tema é contestado e evita manchetes que prometam certeza onde há incerteza. Critérios de qualidade: lead com o fato principal, atribuição clara de autoria da equipe Estrato, atualização com selo quando há mudança material e linguagem acessível sem simplificar demais o risco ou o contexto. Trabalha sob revisão da mesa editorial e do editor-chefe do portal. Matérias YMYL recebem segunda leitura antes da publicação e podem ser atualizadas quando surgem novos dados oficiais. Limites: este perfil descreve o papel editorial na marca Estrato. O conteúdo publicado é informativo e não constitui aconselhamento médico, financeiro, jurídico ou profissional personalizado. Transparência ao leitor: metodologia em /metodologia/, ética em /etica-editorial/, correções em /correcoes/, equipe em /equipe/ e canal em /contato/ ([email protected]). Na página-mãe da rede, a bio ampliada e o arquivo de matérias ficam em estrato.cc/blog/, com link para o arquivo do autor em cada portal.

Deixe um comentário