INTERNACIONAL
Descobertas globais de petróleo e gás atingem mínima de 40 anos devido a cortes de investimentos
O número de novas descobertas de campos de petróleo e gás em todo o mundo em 2025 caiu para o…

O número de novas descobertas de campos de petróleo e gás em todo o mundo em 2025 caiu para o nível mais baixo em mais de 40 anos, com os volumes nesses campos recuando para um décimo do pico de 2013. A redução de investimentos por parte de empresas globais de energia está pesando sobre a atividade de exploração.
O número de descobertas comercialmente significativas em 2025 totalizou 19, o menor patamar desde o início dos registros comparáveis em 1980, segundo dados da organização sem fins lucrativos americana Global Energy Monitor, compilados pelo “Nikkei Asia”.
Em termos de volume de gás e petróleo descobertos, as reservas estimadas em 2025 representaram menos de um décimo do pico de 2013. As estimativas de reservas foram calculadas com base em campos para os quais havia dados disponíveis.
Em volume de reservas, o Oriente Médio respondeu pela maior parte dos recursos recém-descobertos na maioria dos anos de destaque das últimas duas décadas, incluindo 2013. Em 2025, a região produziu cerca de 30% do petróleo bruto mundial, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
O desenvolvimento de projetos de petróleo e gás a montante (“upstream”) compreende três etapas: exploração, desenvolvimento e produção. Durante a fase de exploração, as empresas analisam formações geológicas e perfuram poços em áreas obtidas de governos e outras entidades para localizar depósitos de petróleo e gás. Projetos de exploração podem exigir investimentos superiores a US$ 100 milhões, enquanto as taxas de sucesso giram em torno de 20%.
Um dos motivos para a desaceleração nas novas descobertas é o movimento de descarbonização entre as grandes empresas de energia. Desde 2020, as principais petroleiras ocidentais têm sofrido crescente pressão de grupos ambientalistas e investidores, o que as levou a redirecionar capital para energias renováveis. Na gigante britânica de energia Shell, os gastos com exploração em 2025 caíram para US$ 1,1 bilhão em base consolidada, um quinto do nível registrado uma década antes.
O investimento total no desenvolvimento de projetos de petróleo e gás a montante em 2025 somou cerca de US$ 540 bilhões, segundo a AIE e outras organizações, uma queda de quase 40% em relação a uma década antes. A alta nos custos de materiais elevou as despesas de exploração, levando as empresas a priorizar a expansão de campos de petróleo e gás já existentes, o que exige menos investimento.
Desafios técnicos crescentes também têm desempenhado um papel importante. A AIE estima que, atualmente, leva-se cerca de 20 anos desde a aquisição de um bloco de exploração até o início da produção. Isso ocorre à medida que o aumento das descobertas de jazidas de petróleo e gás em águas profundas tornou o desenvolvimento mais demorado e complexo.
“As áreas disponíveis para desenvolvimento em terra [onshore], que é mais barato, estão diminuindo”, disse Yuya Akizuki, da Organização Japonesa para Metais e Segurança Energética (Jogmec). “Nos últimos anos, a maioria dos projetos de desenvolvimento de recursos convencionais — excluindo recursos de xisto — tem se concentrado em águas profundas ou áreas offshore.”
Se a queda nas descobertas impedir os produtores de manter o suprimento futuro, o mundo poderá enfrentar dificuldades para atender à demanda por petróleo e gás. A demanda por energia continua a crescer com o aumento populacional nas economias emergentes e a elevação do consumo de eletricidade impulsionada pela disseminação da inteligência artificial nos países desenvolvidos.
Em um relatório de 2025, a AIE alertou que “manter a produção global de petróleo e gás constante ao longo do tempo exigiria o desenvolvimento de novos recursos”.
Mudanças nas políticas dos Estados Unidos e o impacto da invasão da Ucrânia pela Rússia enfraqueceram o ímpeto dos esforços de descarbonização e renovaram as preocupações com a segurança energética.
A BP abandonou suas metas de longo prazo para a redução de combustíveis fósseis em 2025. A empresa planeja reduzir os gastos com descarbonização e investir US$ 10 bilhões anualmente em desenvolvimento de exploração e produção, visando aumentar a produção até 2035. A Exxon Mobil também estabeleceu a meta de elevar a produção de combustíveis fósseis em até 30% em relação aos níveis de 2024 até o ano de 2030.
As empresas também estão abrindo novas fronteiras de exploração em regiões como a África e a América do Sul.
A Exxon descobriu um grande campo de petróleo offshore na Guiana em 2015 e está explorando blocos adjacentes. A produção local já atingiu cerca de 900 mil barris por dia. Em agosto de 2025, a BP anunciou a maior descoberta de petróleo e gás dos últimos 25 anos na costa do Brasil.
A japonesa Inpex está realizando perfurações exploratórias perto de um projeto emblemático de gás natural liquefeito na Austrália. Em março de 2026, a empresa anunciou a aquisição de participações em um novo campo de petróleo e gás em terra, próximo à área do projeto.
Fonte: Valor Econômico
Perguntas frequentes
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