ECONOMIA
Preocupação com perda de renda voltou ao nível da pandemia, diz Fenaprevi
A preocupação dos brasileiros com a perda de renda provocada por doença, invalidez, morte ou outros imprevistos voltou aos níveis…

A preocupação dos brasileiros com a perda de renda provocada por doença, invalidez, morte ou outros imprevistos voltou aos níveis da pandemia, segundo Edson Franco, presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). O aumento da percepção de risco, porém, não tem sido acompanhado na mesma proporção por medidas de proteção financeira. “Isso mostra o nível de dissonância cognitiva que existe entre o medo,o conhecimento e o acesso, que basicamente só se cobre com planejamento e educação financeira. É o grande problema que nós temos”, afirmou ele nesta quarta-feira (16), durante o XII Fórum Nacional de Seguros de Vida e Previdência Privada, em São Paulo. Na quarta edição da pesquisa “Percepção dos Brasileiros sobre Proteção e Planejamento”, encomendada pela Fenaprevi ao Datafolha e divulgada no evento, os resultados de 2026 sobre os principais medos diante de crises sanitárias ou ambientais voltaram a se aproximar dos registrados em 2021, depois de recuarem ao longo do período. O receio de deixar a família sem condições de se manter em caso de morte ou doença, principal preocupação apontada pelos entrevistados, era de 25% em 2021, caiu para 17% em 2023 e voltou a subir, para 21% em 2024 e 24% neste ano. Já o temor de não ter dinheiro para pagar tratamento médico, internação, medicamentos ou exames, que era de 19% em 2021, chegou a 24% em 2023 e retornou a 19% em 2024 e 2026. A preocupação de não conseguir se sustentar por um problema de saúde aumentou de 14% em 2021 para 17% neste ano, enquanto o medo de ficar sem moradia passou de 13% para 16%. O levantamento não aponta uma causa específica para o aumento da percepção de risco. A distância entre preocupação e proteção aparece na contratação de produtos financeiros. Apenas 18% dos entrevistados possuem algum produto de proteção e 13% têm seguro de vida. Quando as coberturas e características dos seguros são apresentadas aos participantes da pesquisa, porém, o interesse chega a 80% e a intenção de compra supera 60%, segundo Franco. Para o presidente da Fenaprevi, os resultados indicam que a baixa penetração dos seguros no país não pode ser atribuída apenas à renda. Ele cita como contraponto o crescimento das apostas on-line. Segundo Franco, com base em dados do Ministério da Fazenda, as bets movimentaram mais de R$ 230 bilhões no Brasil em 2025, enquanto a arrecadação conjunta dos seguros de vida e de automóveis ficou em cerca de R$ 160 bilhões. Franco ressalva que as duas cifras não são diretamente comparáveis — o dinheiro movimentado em apostas tem natureza diferente do prêmio pago por uma apólice — e afirma que não pretende “demonizar” as bets. A comparação, diz, serve para mostrar que existe disposição para destinar recursos a outras atividades mesmo entre uma população que frequentemente aponta a falta de renda como obstáculo à contratação de seguros. “O brasileiro já gasta para correr risco. A gente tem que ensiná-lo a investir para se proteger de riscos.” A própria pesquisa mostra a dimensão dessa diferença. Cerca de 20% dos entrevistados afirmam fazer apostas on-line, enquanto 13% possuem seguro de vida e apenas 8% têm previdência privada. A dificuldade de transformar a preocupação com o futuro em proteção financeira se estende, na avaliação de Franco, à aposentadoria. Além da baixa adesão à previdência complementar, ele vê mudanças no mercado de trabalho, como o avanço da pejotização, aumentando a pressão sobre o sistema público ao reduzir a participação de trabalhadores no modelo tradicional de contribuição. “Isso está trazendo a parede da insustentabilidade do sistema público de previdência para mais perto”, afirma. Segundo Franco, o envelhecimento da população já colocaria pressão crescente sobre o regime de repartição, no qual as contribuições dos trabalhadores em atividade financiam os benefícios dos aposentados, mas as novas formas de contratação aceleram esse processo. O presidente da Fenaprevi defende, por isso, que o país volte a discutir mudanças estruturais na Previdência. “A janela de oportunidade que existe para que nós possamos criar um novo sistema previdenciário sem quebra da expectativa de direitos das pessoas que estão no sistema está se fechando”, afirma. Para ele, é necessário aumentar o “senso de urgência” em torno do tema tanto no governo quanto na sociedade. Na avaliação de Franco, um sistema sustentável no longo prazo deveria combinar diferentes pilares. O Estado manteria um componente público de caráter redistributivo, enquanto uma parcela maior da formação da renda para a aposentadoria viria de um regime de capitalização, com recursos acumulados individualmente e administrados pela iniciativa privada. A proposta significaria uma mudança em relação ao atual modelo brasileiro, predominantemente baseado na repartição. Franco argumenta que uma transição precisaria preservar os direitos e expectativas de quem já está no sistema, justamente uma das razões pelas quais considera que o tempo para uma reforma mais ampla está diminuindo. Edson Franco, presidente da Fenaprevi Divulgação
Perguntas frequentes
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