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Data centers dos EUA garantem à Mitsubishi pedidos firmes de turbina a gás até 2030

A Mitsubishi Heavy Industries prevê que a demanda global por turbinas a gás permanecerá forte no próximo ano, com um…

A Mitsubishi Heavy Industries prevê que a demanda global por turbinas a gás permanecerá forte no próximo ano, com um aumento nos negócios nos Estados Unidos abastecendo a carteira de pedidos da empresa, segundo o chefe das operações norte-americanas em declaração ao “Nikkei Asia”.

“Observando o ritmo de pedidos para o período de janeiro a junho de 2026, espera-se que a demanda fique no mesmo nível do ano passado ou até mais alta, ultrapassando novamente a marca de 100 gigawatts este ano”, disse na segunda-feira Takao Tsukui, presidente do conselho e executivo-chefe (CEO) da Mitsubishi Heavy Industries America.

Os Estados Unidos estão impulsionando grande parte dessa demanda devido à expansão de data centers voltados para a inteligência artificial (IA). A necessidade de geradores de energia de carga de base, capazes de operar de forma estável 24 horas por dia, está aumentando. A demanda global por turbinas a gás em 2025 atingiu o nível mais alto desde 2000, segundo a Mitsubishi Heavy.

A empresa japonesa é uma das três maiores fabricantes mundiais de turbinas a gás para geração de energia, ao lado de suas concorrentes GE Vernova e Siemens Energy. O principal produto da Mitsubishi Heavy é a turbina de grande porte e alta eficiência da série J, utilizada em usinas de ciclo combinado a gás (GTCC).

Esperava-se, anteriormente, que as usinas termelétricas se tornassem um negócio em declínio devido à transição global para a redução das emissões de carbono. No entanto, a disseminação da IA impulsionou uma maior demanda por eletricidade. Os pedidos de turbinas a gás estão se acumulando na Mitsubishi Heavy.

“A carteira de pedidos atual é excepcionalmente grande e está em um nível recorde”, disse Tsukui. “Em particular, o cronograma para produtos com entrega prevista para o período de 2029-2030 está bastante apertado.”

Os preços contratuais das turbinas a gás da Mitsubishi Heavy também subiram 20% em relação ao mesmo período do ano anterior.

“Mudanças nos custos de mão de obra e nos preços das matérias-primas forçaram elevações de preços, e o impacto das cadeias de suprimentos também é significativo”, afirmou Tsukui. A alta nas taxas de juros também foi citada como um fator relevante.

Principais concorrentes também relatam um cenário de forte demanda por turbinas a gás.

Os pedidos de turbinas de pequeno e médio porte “já cobrem um horizonte de cerca de cinco anos”, disse recentemente Yoshinori Kanehana, presidente do conselho da Kawasaki Heavy Industries, ao “Nikkei Asia”, no estado norte-americano de Indiana. A forte demanda gerada por data centers e pela energia a hidrogênio aumentou as consultas de novos clientes, fazendo com que a Kawasaki Heavy tenha dificuldades em acompanhar o ritmo dos pedidos, disse Kanehana.

As fabricantes estão acelerando investimentos de capital para atender à demanda. A Mitsubishi Heavy Industries planeja dobrar sua capacidade de produção de grandes turbinas a gás até o ano fiscal de 2030, em comparação com o ano fiscal de 2024. A empresa investirá mais de 100 bilhões de ienes (US$ 635 milhões) em polos de produção no Japão e nos Estados Unidos.

Espera-se que a demanda de energia dos data centers dos Estados Unidos mais do que dobre, chegando a 66 GW no próximo ano — um aumento em relação aos 31 GW previstos para 2025 —, segundo estimativas do Goldman Sachs.

No entanto, a oposição à construção de data centers está ganhando força em alguns estados, e essas instalações tornaram-se um tema relevante nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. Revisões e atrasos nos cronogramas de construção também estão se tornando frequentes.

“É necessária a aceitação da sociedade para que as pessoas compreendam o impacto positivo que a IA terá em suas vidas”, disse Tsukui.

Algumas empresas de desenvolvimento de IA estão defendendo regulamentações e medidas de segurança mais rigorosas.

“Todas as empresas estão plenamente cientes de que a IA deve ser um produto seguro”, afirmou Tsukui, acrescentando que “o setor está em crescimento e não há preocupações quanto a investimentos em um futuro próximo”.

22/09/2026 23:50:22

Fonte: Valor Econômico

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Rafael Moraes

Rafael Moraes

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