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Ataque quântico contra Bitcoin e Ethereum pode exigir 50% menos recursos, diz novo estudo

Pesquisadores ligados à Ethereum Foundation, Theta Labs, StarkWare e outras organizações reduziram em mais de 50% a estimativa de recursos…

Pesquisadores ligados à Ethereum Foundation, Theta Labs, StarkWare e outras organizações reduziram em mais de 50% a estimativa de recursos necessários para uma etapa importante de um possível ataque quântico futuro contra Bitcoin e Ethereum.

O novo estudo não significa que as redes estejam sob risco imediato. Nenhum computador quântico existente hoje é capaz de quebrar a criptografia usada por Bitcoin e Ethereum. Mas o avanço mostra que o risco pode se aproximar não apenas pela evolução do hardware quântico, mas também por melhorias nos métodos matemáticos usados para executar um ataque.

O trabalho analisou uma operação específica usada no algoritmo de Shor, técnica quântica que, em tese, poderia transformar uma chave pública exposta em uma chave privada. Com isso, um invasor com uma máquina suficientemente poderosa poderia assinar transações como se fosse o dono de uma carteira.

Bitcoin e Ethereum usam a criptografia secp256k1, alvo do estudo. O novo circuito apresentado pelos pesquisadores exige 1.151 qubits lógicos e cerca de 1,3 milhão de portas Toffoli, uma medida do volume de operações necessárias. Em termos simples, os qubits indicam o tamanho da máquina exigida, enquanto as portas indicam o trabalho que essa máquina precisa executar.

O resultado gerou uma pontuação de cerca de 1,5 bilhão, mais de 50% abaixo da estimativa de aproximadamente 3 bilhões publicada pelo Google Quantum AI em março. Os próprios autores, porém, alertam que a comparação não é perfeita, já que os estudos usam interfaces e regras de contabilidade diferentes.

Uma segunda versão, adaptada de forma mais próxima ao uso real dentro do algoritmo de Shor, chegou a uma pontuação de 1,96 bilhão, ainda abaixo da referência divulgada pelo Google.

IA ajudou pesquisadores a acelerar melhorias

O avanço veio a partir do desafio público ECDSA.Fail, criado pela Eigen Labs com base em um verificador disponibilizado pelo Google. Mais de 100 participantes trabalharam por cerca de oito semanas no problema, com mais de 400 submissões aceitas.

Segundo o estudo, pesquisadores humanos e agentes de IA atuaram juntos no processo. A inteligência artificial foi usada principalmente para implementação, testes repetidos e pequenas otimizações. Já os humanos ficaram mais concentrados na definição dos caminhos de pesquisa e nas mudanças maiores no desenho do circuito.

Ao longo do desafio, a pontuação caiu 86%, de 10,75 bilhões para 1,496 bilhão. E os números continuaram melhorando mesmo depois do corte usado no artigo. Um desenho posterior reduziu a pontuação para cerca de 1,26 bilhão, enquanto outro diminuiu a exigência de tamanho da máquina para 813 qubits lógicos, embora com custo computacional maior.

A leitura dos pesquisadores é que isso muda a forma de pensar o chamado “Q-Day”, nome usado para o dia em que computadores quânticos poderiam representar risco real à criptografia atual. Mesmo que as máquinas ainda não existam, o custo estimado para um ataque pode cair com novas otimizações.

“Não é urgente porque um ataque seja iminente”, disse Jieyi Long, CTO da Theta Labs e principal autor do estudo. “É urgente porque a solução leva anos e não pode ser aplicada retroativamente.”

Bitcoin e Ethereum já discutem proteção pós-quântica

O estudo reforça um debate que já vinha crescendo entre desenvolvedores de Bitcoin e Ethereum. A ameaça quântica afeta principalmente carteiras cujas chaves públicas já estão visíveis na blockchain, como ocorre em endereços antigos ou em casos de reutilização de endereços.

Um conselho independente da Coinbase sobre computação quântica e blockchain estimou em junho que cerca de 7 milhões de BTC estão em endereços potencialmente expostos a um ataque futuro, embora tenha reforçado que nenhum computador quântico atual consegue quebrar a criptografia das redes.

No Ethereum, desenvolvedores discutem uma migração mais ampla para segurança pós-quântica até dezembro de 2029, envolvendo as camadas de execução, consenso e dados da rede. O Google Quantum AI também havia apontado 2029 como meta para migração a criptografia resistente a computadores quânticos.

O ponto central é que, diferentemente de uma atualização comum de software, uma migração pós-quântica exige coordenação ampla, mudanças técnicas complexas e tempo para que usuários movam fundos para endereços mais seguros. Caso uma carteira já tenha a chave pública exposta e um computador quântico suficientemente poderoso exista no futuro, a proteção não poderia ser aplicada depois do fato.

Eli Ben-Sasson, cofundador e CEO da StarkWare, disse ao The Block que a redução pela metade no custo estimado de quebrar a criptografia do Bitcoin em apenas dois meses deveria servir de alerta para o setor.

“Se a estimativa do custo para quebrar essa criptografia está sendo cortada pela metade, como neste estudo, então qualquer cronograma citado para o Q-Day também precisa ser reduzido”, afirmou.

Apesar do tom de alerta, o estudo não descreve um ataque completo. O circuito cobre apenas uma das principais operações necessárias, sem incluir correção física de erros, a implementação completa do algoritmo de Shor e outros custos específicos de rodar tudo em um computador quântico real.

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O estudo reforça um debate que já vinha crescendo entre desenvolvedores de Bitcoin e Ethereum. A ameaça quântica afeta principalmente carteiras cujas chaves públicas já estão visíveis na blockchain, como ocorre em endereços antigos ou em casos de reutilização de endereços. Um…
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Carolina Fischer

Carolina Fischer

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