NEGÓCIOS

Sem consenso e com disputa societária, Pontal-Thopen pede recuperação judicial

O Grupo Pontal-Thopen reviu sua estratégia e antecipou o pedido de recuperação judicial. No mês passado, o conjunto formado por…

O Grupo Pontal-Thopen reviu sua estratégia e antecipou o pedido de recuperação judicial. No mês passado, o conjunto formado por 54 empresas que atua principalmente no mercado de geração distribuída de energia elétrica, já havia conseguido, na Justiça, proteção contra ações e execuções individuais de credores ao longo de 60 dias. Na ocasião, a instituição afirmou que a situação era “reversível, desde que seja possível conduzir uma renegociação ordenada e eficiente das dívidas financeiras”. Agora, porém, afirmou à Justiça que a via consensual “não prosperou”, levando-a a fazer a solicitação, que ainda não foi acatada pelo judiciário. O passivo citado soma R$ 4,56 bilhões. “Em vez de comparecerem à mesa com propostas, credores relevantes tentaram declarar vencimentos antecipados, acionar cláusulas de vencimento cruzado (cross-default), reter recebíveis e perseguir garantias de forma isolada e descoordenada, esvaziando, na prática, a própria mediação que a tutela cautelar buscava resguardar”, disse na solicitação. A situação do grupo, que se tornou pública no mês passado, surpreendeu agentes do mercado diante da expansão que vinha sendo encabeçada pela Thopen, lançada a partir da antiga RZK Energia, que foi adquirida pela Pontal Energy, controlada pela gestora americana de private equity Denham Capital. Após a incorporação feita no início de 2025, a empresa vinha comprando ativos relevantes no mercado para ampliação de seu portfólio com transações feitas com companhias como a Matrix Energia e a Vip Air. A Thopen vinha se apresentando como a maior plataforma de energia livre do Brasil, com mais 300 mil unidades consumidoras sob sua gestão. Diz ainda contar com 204 ativos de geração que somam 700 megawatts-pico (MWp) de capacidade instalada distribuídos por todos os Estados do país. Na proteção que já havia conseguido na Justiça atribuiu o momento a “um quadro agudo de escassez de liquidez”, relacionado a “fatores de mercado que atingiram o seu setor de atuação” e a “decisões estratégicas tomadas por administrações anteriores”. Sobre este último ponto, o pedido atualizado detalha disputa interna: a controladora Denham Capital afirma ter identificado “inconsistências nas informações prestadas pelos antigos controladores no âmbito da aquisição das ações da Pontal”, tendo pedido abertura de processo de arbitragem para ser ressarcida pelos acionistas minoritários. Se acatada a solicitação de recuperação judicial, o grupo afirmou que apresentará o plano em 60 dias. Houve ainda pedido para que o tema fosse tratado sob sigilo. Este ponto, no entanto, já foi negado pela 6ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). Procurada, a Thopen não comentou.

Perguntas frequentes

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Sobre o que trata “Sem consenso e com disputa societária, Pontal-Thopen pede recuperação judicial”?
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Gustavo Azevedo

Gustavo Azevedo

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