ECONOMIA

Seguro para pequenos negócios protege fonte de renda, mas acesso ainda é desafio

Uma moto usada para trabalhar, o equipamento de um salão de beleza ou o espaço onde funciona um pequeno comércio…

Uma moto usada para trabalhar, o equipamento de um salão de beleza ou o espaço onde funciona um pequeno comércio podem levar tempo para ser conquistados.

Se um imprevisto interrompe a atividade, a perda vai além do bem: pode comprometer a renda da família. Proteger esse patrimônio é uma das questões que seguradoras e lideranças comunitárias têm discutido ao buscar ampliar o acesso ao seguro nas periferias.

O fundador do G10 Favelas, Gilson Rodrigues, defende que os produtos, a linguagem e as formas de atendimento sejam desenvolvidos a partir da realidade dos moradores.

“Quero propor que Paraisópolis se transforme nesse grande laboratório para entender a linguagem, as formas e o jeito de ser de quem vive na favela. Temos uma oportunidade de construir uma iniciativa que possa gerar resultados para todo o Brasil”, propôs durante uma feira sobre seguros realizada no último dia 12 na comunidade, na Zona Sul de São Paulo.

O presidente da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), Dyogo Oliveira, chama a atenção para o efeito de um prejuízo sobre pequenos empreendedores.

“A pessoa consegue montar um restaurante ou comprar um veículo para trabalhar, mas um único evento pode levá-la novamente à estaca zero. O seguro pode contribuir para dar continuidade a essa trajetória”, disse no mesmo evento.

O interesse pela proteção existe, mas precisa disputar espaço com as despesas do mês. Pesquisa recente da CNseg em parceria com o Instituto Locomotiva que mapeou o interesse de moradores de comunidades mostrou que 85% dos entrevistados já buscaram informações sobre seguros ou gostariam de conhecê-los, enquanto 89% terminam o mês sem dinheiro disponível.

Representantes do mercado segurador e do G10 participam de feira de seguros realizada em Paraisópolis (Divulgação/CNseg)

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Proteção adequada à realidade de cada morador

Para Julia Normande Lins, diretora da Susep (Superintendência de Seguros Privados), autarquia federal que fiscaliza o mercado segurador no país, ampliar o acesso da população ao seguro exige considerar as características de cada comunidade e explicar em que situações o produto pode ser útil.

“A gente quer que o seguro chegue para todos, mas que chegue entendendo as comunidades, as pessoas e as situações em que aquele produto pode ser útil”, defendeu ao participar da feira.

A diretora também orientou os consumidores a buscar informações claras sobre coberturas, exclusões e condições antes de contratar. Na comparação entre produtos, vale verificar quais prejuízos dão direito à indenização, qual é o limite de pagamento e se há franquia ou carência.

Leia mais: Seguro de carro, casa e outros bens terão novas regras para indenização

Para quem usa um bem ou a própria residência como instrumento de trabalho, é necessário conferir expressamente se esse uso está contemplado no contrato de seguro (apólice).

Uma das iniciativas apresentadas pela seguradora Mapfre procura atender a pequenos empreendedores: o seguro para o espaço físico do negócio pode ser contratado inclusive quando a atividade funciona na casa do proprietário.

A companhia oferece ainda uma solução de proteção pessoal e familiar. De acordo com a seguradora, os produtos lançados em 2024 podem ser contratados pelo CPF, o que facilita o acesso de quem trabalha sem CNPJ.

“Quem trabalha por conta própria pode depender de um único equipamento para gerar renda. Uma pequena atividade comercial também pode sofrer com um imprevisto que interrompa seu funcionamento”, observou Ivo Kanashiro, superintendente de Sustentabilidade da Mapfre.

Leia também: O próximo ciclo de crescimento do mercado segurador passa pelas periferias

Informação e presença nas comunidades

Já a Favela Seguros aposta na formação de representantes locais para oferecer proteção familiar. Criada pela Favela Holding e pela MAG Seguros, com apoio social da CUFA (Central Única das Favelas), a empresa associa a distribuição dos produtos de seguros à capacitação e à geração de renda dentro das comunidades.

“Quando o mercado vem para a favela, ele não vem apenas para falar sobre seguro, mas também para ouvir e aprender com quem vive aqui. As periferias têm conhecimento, empreendedores, famílias e um enorme potencial de crescimento”, destacou Gê Coelho, gerente de Relacionamento da Favela Seguros, iniciativa lançada em 2024.

Atualmente, a empresa conta com sete representantes Paraisópolis, mas ainda possui outras vagas abertas, buscando levar proteção familiar aos moradores

A informação também aparece como parte da estratégia das seguradoras para alcançar os moradores de comunidade. A CNP Assurances, que comercializa microsseguros no Brasil desde 2012, associa a oferta à educação financeira.

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“Não adianta oferecer o produto sem que a população compreenda a importância de reservar uma parte da renda para contratar a proteção de que precisa”, avaliou Gregoire Saint Gal De Pons, diretor de Relações Institucionais, Comunicação e ESG da companhia na América Latina.

Na Bradesco Seguros, o foco apresentado foi aproximar a proteção de decisões cotidianas sobre família, patrimônio, negócios e projetos de vida.

“A ampliação da cultura do seguro passa por tornar esse universo mais próximo e compreensível para as pessoas. Queremos mostrar, de forma leve e conectada a situações reais, que falar sobre proteção também é falar sobre planejamento, escolhas e projetos de vida”, declarou Ivani Andrade, superintendente de Sustentabilidade do grupo.

Para Oliveira, da CNseg, a linguagem usada pelo setor ainda dificulta essa aproximação. “Precisamos quebrar os muros invisíveis que fazem o seguro parecer algo destinado apenas a quem tem mais dinheiro. Também precisamos falar uma língua que as pessoas entendam”, disse.

Tem alguma dúvida sobre o tema? Envie para [email protected] que buscamos a resposta para você!

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Fonte: InfoMoney

Perguntas frequentes

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Sobre o que trata “Seguro para pequenos negócios protege fonte de renda, mas acesso…”?
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O que a matéria explica sobre “Proteção adequada à realidade de cada morador”?
Para Julia Normande Lins, diretora da Susep (Superintendência de Seguros Privados), autarquia federal que fiscaliza o mercado segurador no país, ampliar o acesso da população ao seguro exige considerar as características de cada comunidade e explicar em que situações o produto pode…
O que a matéria explica sobre “Informação e presença nas comunidades”?
Já a Favela Seguros aposta na formação de representantes locais para oferecer proteção familiar. Criada pela Favela Holding e pela MAG Seguros, com apoio social da CUFA (Central Única das Favelas), a empresa associa a distribuição dos produtos de seguros à capacitação…
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