ECONOMIA
México aposta em ônibus elétrico nacional para reduzir dependência da China
O México está apoiando o desenvolvimento de um ônibus elétrico fabricado no país como parte de um esforço mais amplo…

O México está apoiando o desenvolvimento de um ônibus elétrico fabricado no país como parte de um esforço mais amplo para reduzir a dependência de fabricantes chineses, fortalecer sua indústria e capturar uma parcela maior do valor gerado pela transição global para o transporte de baixa emissão. O projeto surge em um momento em que marcas chinesas dominam o mercado mexicano de ônibus elétricos e as preocupações com a segurança das cadeias de suprimentos e a dependência industrial ganham força em todo o mundo. Os desenvolvedores do veículo pretendem elevar gradualmente a participação de componentes produzidos no México para 80% e criar uma base para futuras exportações. O ônibus, batizado de Taruk — palavra que significa “corredor de estrada” em uma língua indígena —, é fabricado pela Dina, empresa familiar do estado de Hidalgo que recentemente completou 75 anos. “Os mexicanos também estão fartos do grande número de ônibus fabricados na China”, disse o presidente da Dina, Alargo Gomez Sierra, destacando a ambição da empresa de ampliar sua participação no mercado. Fabricantes chineses, incluindo Yutong e BYD, são responsáveis por mais de 80% do mercado de ônibus elétricos do México, segundo estimativas. O governo mexicano, que tem priorizado a redução da dependência da China, apoia o desenvolvimento do Taruk. Embora o México seja um dos principais produtores de veículos comerciais, o país tem relativamente poucos fabricantes nacionais de destaque. Há quatro anos, quando a atual presidente, Claudia Sheinbaum, era prefeita da Cidade do México, a Dina foi procurada para avaliar a possibilidade de converter ônibus a diesel em veículos elétricos. A iniciativa levou a empresa a desenvolver o projeto do zero. “Não é um foguete nem um navio. Podemos construir um ônibus”, disse Gomez. O Taruk já entrou em operação em Chetumal, capital do estado de Quintana Roo, e passa por testes-piloto em outras cidades. A previsão é que comece a circular na Cidade do México em 2027. O veículo tem autonomia de cerca de 350 quilômetros com uma única carga, suficiente, segundo os desenvolvedores, para operações de transporte urbano. Se o projeto for bem-sucedido, a Dina pretende produzir de 5 mil a 6 mil unidades por ano. O principal desafio continua sendo reduzir a dependência de peças e materiais chineses. Atualmente, cerca de 65% dos componentes são produzidos no México, e a Dina pretende elevar esse índice para 75% a 80% nos próximos anos. “Nosso índice de conteúdo nacional ainda é de 65%, mas queremos aumentá-lo para 75% a 80% dentro de alguns anos”, disse Gomez. Na fábrica da Dina em Hidalgo, perto da Cidade do México, veículos recém-montados aguardavam para ser enviados aos clientes. A empresa também desenvolve um modelo com mais de 12 metros de comprimento, quase 30% maior que a versão atual. O sistema de propulsão elétrica, incluindo o motor, é fornecido pela Megaflux, outra empresa mexicana tradicional, com sede na Cidade do México. A companhia surgiu de uma fabricante com quase 120 anos de história, originalmente dedicada à produção de itens como geradores de energia eólica. Embora o sistema de propulsão do Taruk seja projetado e montado inteiramente no México, o projeto ainda depende de células de bateria fabricadas na China, evidenciando um dos principais obstáculos à nacionalização da produção. “A China responde por 80% do fornecimento de baterias”, disse Roberto Gottfried, CEO da Megaflux. “Dos 30% que ainda não conseguimos localizar, as baterias representam 25%. Queremos reduzir a participação de produtos chineses em dois anos.” Gottfried argumentou que o México tem escala suficiente para sustentar uma indústria nacional de baterias. “Há mais de 1 milhão de ônibus em operação no México. Certamente, existe uma base para que empresas capazes de fabricar células de bateria surjam no país”, afirmou. A Dina e a Megaflux investiram US$ 60 milhões no desenvolvimento do Taruk. As primeiras versões do sistema de propulsão, instaladas em ônibus usados, tinham autonomia de apenas cerca de 180 quilômetros. Melhorias sucessivas quase dobraram essa distância. As preocupações com a dependência da tecnologia de transporte chinesa também aumentaram em outros países. Alegações de “portas traseiras” em veículos produzidos pela fabricante chinesa de ônibus Yutong surgiram na Europa no ano passado. Em tese, esses mecanismos permitiriam desligar os ônibus remotamente e acessar seus sistemas de controle. No México, também cresce a percepção de que a dependência de fabricantes chineses pode representar riscos à segurança nacional. Em janeiro, o governo impôs tarifas adicionais de até 50% sobre importações de países que não têm acordos comerciais com o México, incluindo a China. O governo também apresentou um protótipo do Olinia, um veículo elétrico compacto em desenvolvimento como projeto nacional, reforçando o esforço para ampliar a capacidade de fabricação do país.
Perguntas frequentes
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